Correspondente Bancário é Banco?

Na reportagem Correspondente não é banco, diz Febraban em proposta ao BC, de Adriana Cotias do jornal Valor Econômico, fica clara a preocupação das instituições financeiras com a situação dos estabelecimentos comerciais que recebem contas, pagam benefícios e ofertam crédito, caso sejam enquadrados pela legislação como instituições financeiras. A preocupação é que os funcionários desses estabelecimentos tenham direito aos mesmos benefícios dados a categoria dos bancários. Ao longo da reportagem a preocupação dos bancos está em ampliar a malha alternativa de atendimento bancário formada por cerca de 150 mil estabelecimentos comerciais, entre eles, supermercados, lotéricas e agências de correios, permitindo que os mesmos possam ofertar crédito e outros produtos financeiros e, ao mesmo tempo prevenindo que esses correspondentes sejam confundidos como instituições financeiras.

Não que o assunto não seja importante, mas a reportagem provocou reflexões socioeconomicas trazidas pelo professor Zygmunt Bauman em suas mais recentes obras – Vida a Crédito e Capitalismo Parasitário. Ou seja, estamos vivenciando uma passagem da sociedade de produtores, em que era possível obter lucros da exploração do trabalho assalariado para uma sociedade de consumidores, em que o lucro é oriundo da exploração dos desejos de consumo. Inclusive em outra obra (Vida para Consumo) o professor Bauman deixa claro que deixamos de ser consumidores para sermos consumistas. Acontece que, como as pessoas não tem renda adequada para isto, a solução é endividar a sociedade. A idéia de que somos livres para tomarmos nossas decisões, inclusive antecipando nossos desejos só é válida com capacitação. Como não somos capacitados em finanças fica o alerta para o crédito fácil.

Espero que tenham gostado,

Carlos Pinheiro



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