Explicações para Surpresas e Previsões

Conforme matéria do jornal Valor Econômico, o ano de 2012 foi marcado pelo fracasso das projeções econômicas e financeiras. Ao lembrarmos o que o mercado esperava no começo do ano em relação aos juros, ao câmbio, ao PIB, à inflação e a bolsa de valores, perceberemos que os erros foram consideráveis. Para os juros, expresso pela taxa Selic, o erro não foi somente em magnitude, mas também na direção, uma vez que analistas chegaram a trabalhar com expectativas de aumento da Selic no primeiro trimestre, quando ocorreu o maior recuo dos juros na história brasileira.

A neuroeconomia, ciência que estuda como o nosso cérebro processa a realidade e reage a estímulos, pode contribuir na compreensão da reação dos mercados e aos erros nas projeções. A surpresa com as previsões afetou os juros futuros e a bolsa para baixo, o câmbio para cima e disparada de nova revisão das projeções de atividade, que passaram a refletir agora a expectativa de perda e dificuldades na recuperação. Assim, há pouco valor em um cérebro que reage fortemente a tudo que se passa no ambiente ao seu redor. Contudo, há grande vantagem em ser capaz de reagir a novidades e acontecimentos inesperados. Sem a capacidade de reconhecer que algo deu errado, e tomou um rumo diferente do projetado, cometeríamos erros de forma cumulativa até atingirmos a um ponto comprometedor. Como bem explica a reportagem do jornal Valor Econômico, Nossos ancestrais tiraram vantagem dessa habilidade de surpreender-se. Do ponto de vista de sobrevivência, é mais útil conhecer e reagir o quanto antes possível a um erro do que reconhecer acertos. Exatamente por isso, nosso sistema nervoso reage com uma intensidade e velocidade 20 vezes maior a um risco ou surpresa negativa, como uma frustração de expectativa, que a uma recompensa ou uma confirmação de algo que já havíamos projetado. Não é a toa que quando o mercado financeiro apresenta um consenso ao redor de uma variável e a divulgação desta projeção é confirma, não observamos movimentos das cotações dos principais ativos.

Com tudo isso o investidor deve ter maior humildade intelectual com relação às limitações dos modelos, métodos e abordagens que geram as projeções. Se o ano de 2012 nos ensinou algo, é que a economia e o mercado nos surpreenderão no futuro. Tal surpresa será mais intensa com quem pretensamente diz compreender o futuro. Não se trata de desistir, mas de ter em conta as limitações inerentes aos modelos de previsões.

Espero que tenham gostado,

Carlos Pinheiro